Na visão de Gurdjieff, a música
- como outras ciências tradicionais - deve, acima
de tudo, servir para conduzir a humanidade a um despertar.
Muito do que ouvimos, contudo, é música
"subjetiva". Não apenas ela flui do estado
subjetivo do compositor, mas ela afeta cada ouvinte de
acordo com o estado subjetivo no qual, por acaso, ele
se encontra.
Infinitamente mais rara é a música "objetiva",
que requer um conhecimento objetivo da natureza humana,
mais especificamente, da função e propriedades
do sentimento e de como o sentimento é afetado
pela "qualidade" específica de cada vibração.
A música objetiva afeta todas as pessoas da mesma
maneira. Ela não só toca os sentimentos
como os transforma, trazendo o ouvinte a um estado unificado
ou "harmonioso" dentro de si mesmo e, dessa
maneira, a uma nova relação com o Universo
que é em si um campo de vibrações.
De acordo com Gurdjieff, a escala musical de sete-notas
expressa uma lei cósmica fundamental, a "Lei
da Oitava", que governa o desenvolvimento das vibrações,
o fluxo de energia, em todos os fenômenos no Universo.
Foi no Château du Prieuré em Fontainebleau,
perto de Paris que Gurdjieff e de Hartmann trabalharam
juntos a música para os Movimentos e outras composições.
Gurdjieff atuava como a fonte e guia, e de Hartmann desenvolvia
os temas e transcrevia as peças em sua forma definitiva.
À noite, de Hartmann tocava a música na
presença de Gurdjieff, dos alunos e dos convidados.
Do livreto: The Music
of Gurdjieff/De Hartmann